Como nosso post anterior falou de praia, mas areia e sal nunca foram uma unanimidade, resolvemos partir para um outro extremo: a serra gaúcha. O MAPA DO MOCHILEIRO foi conferir o que as cidades em meio aos morros têm a oferecer e traz, agora, algumas dicas para quem quer curtir aqueeeele friozinho, mesmo no verão.
Antes de traçar o roteiro, vale a dica de quem mora na serra, ou costuma ir para lá com freqüência: não se iluda. Lugares turísticos são caros e os não-turísticos só servem para quem está a fim de descansar.
Por outro lado, gente de fora sempre valoriza aspectos que passam despercebidos pelos moradores locais, não é mesmo? Por isso, dizer que as cidades serranas “não têm nada” é um certo exagero. Os lugares são ótimos para quem aprecia uma boa comida e belas paisagens.
O Vale dos Vinhedos, por exemplo, é uma região de 82 km² que abrange os municípios de Garibaldi, Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul. Morros cobertos de parreiras são marcantes por todo o caminho e denunciam a produção do vinho, herança da colonização italiana. A bebida da região, fabricada por um conjunto de 23 vinícolas, foi a primeira do Brasil a receber o Selo de Indicação de Procedência.
Já o chocolate e o Café Colonial são atrações facilmente encontradas em Gramado e Canela. As cidades são as mais visitadas da serra gaúcha, devido a atrativos turísticos bem conhecidos, como o Lago Negro, o Festival de Cinema, as comemorações natalinas e o Parque do Caracol. Por causa disso, a alimentação em Gramado se torna um pouco mais cara. Um Café Colonial sai em torno de 25 reais – mas o serviço compensa, já que é servida uma quantidade ilimitada de pães, bolos, geléias e salgados, suficiente para fartar até os mais glutões.
Para quem se interessa pela História do Rio Grande do Sul, uma boa pedida é o passeio de Maria Fumaça que percorre as cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. Entre uma estação e outra, é contado um pouco da colonização dos municípios. Vale cantar em coro La bella polenta, música tradicional que narra o cultivo do milho e a fabricação da iguaria. Sucesso entre os músicos da região.
Outro trajeto que reconta aspectos da colonização – desta vez, alemã – é a Rota Romântica. São 184 quilômetros que cruzam 13 cidades, serra acima, saindo de São Leopoldo até chegar em São Francisco de Paula. Pelo caminho, casas no estilo enxaimel, jardins bem cuidados e cidadezinhas supertranqüilas.
É no ponto final da Rota Romântica, São Chico, que há lugares como o Parque das 8 Cachoe
iras. Trata-se da maior concentração de trilhas e cachoeiras da serra gaúcha, com 130 hectares de mata virgem. O local tem cabanas para casais e área de camping. A principal atração são as trilhas para as oito cachoeiras, que variam em graus de dificuldade (cuidado ao descer a escada da Ravina!). A luz elétrica é limitada, pois provem de uma roda d’água instalada no parque, mas há outros confortos, como chuveiro quente, geladeira e restaurante. Ótimo para os que buscam contato com a natureza e muita tranqüilidade.
Uma última dica: a serra possui estradas sinuosas, entrecortadas por morros. Antes de viajar, é bom submeter o carro a uma revisão geral, só pra garantir. Também vale buscar um mapa rodoviário, pois alguns lugares possuem mais de uma via de acesso (pode-se chegar a Gramado pela Rota Romântica, ou pela RS-115; a RS-020 é uma alternativa que leva a São Francisco de Paula, atravessando Gravataí e Taquara).
Lembre-se: celular, às vezes, fica sem serviço por lá, então pedir socorro por telefone é improvável. É bom se prevenir antes de pegar a estrada, para não ficar empenhado no meio do caminho.

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